A corrida da vida

Publicado em , por: Equipe Talents Adtalem Brasil

“O que não se pode fazer é ficar pelo caminho, seja pela falta de um objetivo ou de confiança em sua própria capacidade.”

O universo surgiu há cerca de 14 bilhões de anos. O que chamamos de “vida”, há aproximadamente 4 bilhões, sendo que organismos multicelulares, há 2 bilhões de anos. A separação entre a linhagem dos seres humanos e de primatas ocorreu entre 10 e 7 milhões de anos atrás. Estamos inseridos nesta imensidão apresentada, neste grande ciclo de criação e destruição, que se renova diariamente. Atualmente, a Terra conta com 7,6 bilhões de habitantes e você, que hoje lê este artigo, faz parte deste grupo.

Pensando em uma etapa menor, que começou na corrida para a sua criação, você foi o vencedor. Assim como muitos outros eventos poderiam acontecer ao longo da história do universo, a probabilidade de você ter nascido, biologicamente falando, era de 1 em cerca de 300 milhões.

Considerando todos os fatores acima, a chance estatística de qualquer um de nós estar aqui é muito próxima a zero. Porém, o fato é que estamos e ainda assim, muitos se consideram perdedores. Outros não se consideram dignos de tirarem máximo proveito do indescritível privilégio de estarmos aqui.

Na escola, sempre fui um dos “baixinhos” da turma. Esse fator afetava a minha autoestima. Tinha vergonha de jogar futebol e isso fez o meu desempenho baixar. Jogava pior que outros meninos e, por um círculo vicioso, passei a ser sempre um dos últimos a serem escolhidos para os times. Essa dinâmica passou a impactar outras áreas da minha vida, e me fazia ter certeza de que eu seria um fracasso.

Esse processo foi revertido próximo da 8ª série, por meio do meu gosto por matemática. Era uma matéria que tinha facilidade e o meu esforço começou a gerar resultados importantes. Essa experiência foi suficiente para que percebesse que, com resiliência, poderia me superar em várias dimensões de minha vida. Escolhi a área acadêmica e comecei a ir bem em quase todas as matérias. Antagonicamente ao que aconteceu na minha infância com esportes, essas vitórias alteraram o meu modelo mental, para que entendesse que poderia ser bom em tudo aquilo que estivesse disposto a investir tempo e energia. Estavam ali construídos os alicerces para uma de minhas características mais fortes: a resiliência.

Pesquisas mostram que a resiliência é o principal fator de diferenciação entre profissionais bem-sucedidos. Em crianças, escassez e/ou competitividade são sentimentos que não são necessariamente bons em grandes doses, mas impulsionam o desenvolvimento dessa virtude. E é o gosto pela vitória que promove nas pessoas o desejo e a oportunidade de fazer a diferença em um mundo cada vez homogêneo.

Com resiliência, podemos pensar no papel que nos é cabível nessa trajetória aqui na Terra. Como podemos deixar a nossa marca? Pelo quê quero ser conhecido? Como posso ajudar a combater a mediocridade? Ou ainda, o que posso fazer para ajudar a melhorar o mundo que será habitado pelos meus filhos?

Entendo perfeitamente que as pessoas largam na corrida da vida em posições diferentes. Muitos não tiveram o privilégio de frequentar boas escolas ou o apoio para conquistar os seus sonhos. Ainda assim, defendo que todos nós somos capazes de fazer coisas extraordinárias, compatíveis com nossas oportunidades. Alguns conseguirão desenvolver medicamentos que salvarão milhões de pessoas. Outros criarão aplicativos que transformarão a forma que um determinado serviço é realizado. Agora, igualmente bem-sucedidos, serão aqueles que conseguirem influenciar sua família e entorno por seu bom exemplo, ajudando o coletivo em causas importantes que promovam o bem-estar, a harmonia e o crescimento.

Sonhar é algo que me move. As vezes sinto que minha cabeça vai explodir com tantas ideias e desejos. O resultado é que sempre tenho um plano, mas, ironicamente, na maioria das vezes, não consigo alcançá-lo como originalmente desenhado. Faço ajustes, modificações na rota ou no objetivo, de forma a torná-lo factível. Acaba dando certo, ainda que por vias um pouco tortas. O plano é a constante, já o conteúdo é parte variável. Dessa forma, vou construindo minhas metas. E o melhor, é que dá certo!

É um milagre estarmos aqui, ou é uma obra do acaso? Para mim, honestamente, não importa. O importante é honrarmos nossa jornada e celebrarmos a vida pelo simples, e ao mesmo tempo complexo fato de estarmos aqui. Assim como nas maratonas, poucos esperam chegar em primeiro: quase todos os corredores que conheço comemoram cruzar a linha final. O que não se pode fazer é ficar pelo caminho, seja pela falta de um objetivo ou de confiança em sua própria capacidade.

Carlos Degas Filgueiras

Presidente da Adtalem Educacional do Brasil e do Grupo  de Tecnologia da Adtalem Global Education.